and now we’re strangers again
Sonhei com você noite passada.
A gente ia parar num quarto de hotel, camas separadas, mas dividindo um quarto. O porquê não lembro direito, mas acho que era algum casamento de pessoas que temos em comum. A gente estava em Brasília.
A gente discutia no momento que ficávamos sozinhos, tentava te seduzir e com sucesso começamos a transar, mas não fluía. Você muito estupidamente dizia que o problema era eu e ia me provar que a sua nova amante era melhor eu tudo.
Você ligava pra ela na minha frente. Você mudava a foto de perfil e ela, que tinha tentado falar com você em algum momento que estávamos discutindo, se sentia no céu.
Eu chorava no banho. Chorava pós banho e a figura que nos levou a estar juntos naquele quarto aparecia, mas era sempre convidada a se retirar.
Em algum momento eu decidia te provocar. Me arrumava inteira com o batom vermelho que você gostava e saía sem dar muitas satisfações, mas eu não tinha rumo. Andei um pouco por galerias, reconheci lugares de Brasília que “você precisa conhecer”, mas decidi voltar pro hotel.
Te achei bravo. Me mostrando uma foto e querendo saber se era eu. Eu te ignorei e você ficou furioso. Eu retocava a maquiagem e saia de novo bem irritada por você achar que eu devia alguma coisa a você. Conhecia um cara e depois fazia amizade com outros dois. Contava pra eles sobre você porque eu recebia uma mensagem sua falando que quando eu chegasse você estaria acompanhando uma festa com a sua garota a distância. Eu respondia “fica a vontade. hoje coisa eu durmo fora.”.
Meu celular estava descarregando, então eu passava no quarto de hotel pra carregar e achava uma mensagem sua num quadro falando que vc tinha saído pra encontrar seguidores. Eu mostrava pra eles e todos nós dávamos risada do quão afetado você estava por não parecer não me importar. Eu descobria que um dos meus novos amigos era hétero. Até então eu achei que não.
Depois de um tempo a gente saiu e eu deixei na cama o carregador jogado e um álbum de fotos Polaroid comigo e meus companheiros da noite. Eu escondia meu diário porque eu sabia que você ia ver e lá tinha coisas que eu não queria abrir pra você. Depois disso eu batia a porta atrás de mim.
Ficava com o hétero do rolê, me diverti dançando a noite todo com meus novos amigos e tudo isso pra provocar algo em você. 
Tem uma coisa tão timeless na música da Lana.
Eu lembro de quando ouvi Vídeo Games a primeira vez. A gente tinha brigado - bom, a gente vivia brigando. Lembro que você chegou a mencionar que se questionou a respeito e vendo hoje consigo entender que éramos incompatíveis, porém muito apaixonados. Essa combinação tende a ser explosiva quando nenhum dos dois quer negociar os termos e ao mesmo tempo quando não conseguem ter força de vontade pra se soltar. Não justifica, mas explica.
Eu era bem traumatizada com todo o desamor que me acompanhou e não acreditei que poderia ser genuinamente amada. Você tem os seus traumas e crenças que também contribuíram pra bagunça. Até hoje eu sigo sem acreditar ter sido genuinamente amada por você. Deve ser ruim ter alguém do lado duvidando constantemente do que se sente. Eu me senti mal e menosprezada quando você diminuiu o que eu te falei que sentia. Se o que você diz ter sentido foi de fato real, eu sinto muito por não ter conseguido acreditar. Não tinha a ver com você, mas comigo.
Agora voltando pra música, lembro que me chamou atenção por conta da parte “he holds me in his big arms drunk and I am swing stars this is all I think of”. Como eu queria ter conseguido aproveitar mais enquanto havia tempo. Eu sinto sua falta. Não você hoje, mas sinto falta do que a gente viveu. É um tipo de amor que não acontece sempre. Projetei em pessoas diferentes, mas nunca foi como foi com você.
Ninguém me tocou como você sexualmente e emocionalmente. Talvez porque você não pedia permissão nenhuma. Você só vinha que nem uma avalanche e eu ficava completamente indefesa. Engraçado que eu odiei não estar na controle tanto quanto você odiou não conseguir me controlar totalmente, mas as experiências com outros homens não me fez sentir tão submissa, entregue e com o tesão que eu tinha em você. Como uma boa submissive brat, eu gostava de te provocar e você gostava de ser provocado pra me “punir” na hora de me comer.
Nenhum outro homem me fez sentir tão protegida quanto você. Nem mais altos e nem maiores. Ao mesmo tempo eu odiava gostar de me deixar tão vulnerável pras tuas vontades. Te chupava, te engolia, te dava todo meu corpo pra você experimentar do jeito que quisesse porque eu queria te dar prazer, mas e o meu prazer? Nele você não parecia tão interessado. Isso me frustrava e me chateava.
O problema era que havia um encaixe nos nossos corpos que funcionava e eu ficava apavorada quando estávamos longe e ainda mais quando estávamos perto porque eu sabia que você ia embora quando a gente estava juntos e eu sabia também que eu iria eventualmente.
Tudo era perfeitamente encaixado menos todo o resto fora da cama - e carro, piscina, chão, avião, trem, banheira, banheiro, cadeira, sofá… enfim. Você era tudo que eu conseguia pensar e ainda povoa alguns pensamentos meus hoje em dia embora bem menos intensos e menos frequentes, mas ainda tenho dias como hoje que eu me sinto inquieta porque queria ter passado o dia lambendo você. Outro não serve. Eu quero lamber você.
Você quer rir? Ontem eu fui num cabaret e uma das apresentações era BDSM. O cara batia na bunda da mulher com chicote, cacetete e com a mão. Teve um momento que ele tacou fogo em partes do corpo dela e apagava dando palmada. A cara que ela fazia era bem parecida com a que eu via pelo reflexo do espelho nas camas de motel que a gente já transou. Quando eu ficava de quatro na cama e você batia na minha bunda antes de meter de uma vez e me comer com força puxando meu cabelo. Lembrar do do teu tesão por mim ainda é inebriante.
Eu recebi teu gozo por incontáveis vezes e nenhuma delas foi menos impactante. Nada me fazia exalar mais energia de gostosa do que quando você gozava dentro de mim. Eu queria que você não parasse nunca e todas as vezes que você gozou e não parou formam aquelas memórias que eu ainda uso pra me tocar. Eu gozo como se tivesse sendo saboreada pelos teus lábios ou sendo penetrada pelo teu pau ou dedilhada pelas suas mãos.
Hoje senti saudades.
It's crazy how trauma makes you push people away when all you want is love.
Relatable.